A banda americana de metal cristão Demon Hunter processou a Netflix, a Netflix Studios e a promotora de shows AEG Presents na Justiça Federal do Distrito Central da Califórnia, alegando que o fenômeno Guerreiras do K-Pop (KPop Demon Hunters) está causando confusão de marca, concorrência desleal e prejuízo direto à reputação e aos negócios do grupo, formado em Seattle em 2000. O processo foi protocolado em 18 de agosto de 2026 pela empresa da banda, a Hyde Lane.
O que diz o processo contra a Netflix
Segundo o documento, a banda existe e usa o nome "Demon Hunter" há mais de 25 anos — muito antes do lançamento do longa animado da Netflix, que se tornou o filme mais assistido da história do streaming. A Demon Hunter afirma que o sucesso da franquia "KPop Demon Hunters" gerou confusão generalizada entre o público, e que o problema piorou depois que a Netflix anunciou, em parceria com a AEG Presents, uma turnê ao vivo baseada no filme — o que, segundo os advogados da banda, cria "quase completa sobreposição" com os produtos e serviços que a Demon Hunter já oferece havia décadas: álbuns, shows e merchandising.
O caso mais citado no processo é o de um fã que teria gastado US$ 500 em ingressos para um show da Demon Hunter em Albany, no estado de Nova York, e depois pediu reembolso ao perceber que havia comprado para o show errado — ele queria, na verdade, assistir ao espetáculo ligado ao filme da Netflix.
O que a banda está pedindo na Justiça
- Julgamento por júri;
- Reconhecimento de seus direitos sobre a marca "Demon Hunter";
- Que a Netflix seja proibida de usar o nome "KPop Demon Hunters" em música gravada, espetáculos ao vivo e produtos licenciados;
- Restituição e indenização — o processo menciona a possibilidade de danos triplicados, mecanismo previsto na lei americana de marcas para casos de violação considerada deliberada.
Até a publicação desta matéria, nem a Netflix nem a AEG Presents haviam se manifestado publicamente sobre o processo.
E o filme, muda de nome?
Por enquanto, nada muda para quem assiste ao filme por aqui: Guerreiras do K-Pop segue disponível normalmente na Netflix Brasil, com o mesmo título em português. Processos como esse costumam se arrastar por meses ou até anos na Justiça americana antes de qualquer decisão — e é comum que grandes estúdios negociem acordos extrajudiciais para evitar litígios longos, sem que isso implique necessariamente uma mudança de nome do produto original.
Vale lembrar que o filme, dirigido por Maggie Kang e Chris Appelhans, teve uma temporada e tanto: mais de 236 milhões de visualizações, vitórias de Melhor Animação e Melhor Canção Original ("Golden") no Oscar 2026, e uma trilha sonora de HUNTR/X e Saja Boys que já passou de um ano no topo das paradas da Billboard. Uma sequência do longa já está em pré-produção, com estreia prevista para 2029 — o caso da Demon Hunter é mais um capítulo na novela em torno do maior fenômeno pop da Netflix dos últimos anos.




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